Os Mitos sobre Empreendorismo

Ser empresário hoje em dia, ou empreendedor como está na moda chamar, não é mais do que uma atitude que revela coragem e acima de tudo ter os destinos da sua vida profissional nas suas mãos.  

 

No passado os empresários eram olhados como alguém com inteligência acima da média. Tinham um status social elevado e a eles as pessoas recorriam para os mais variados fins. Quando hoje verificamos as suas competências, verificamos que a sua preparação era quase nula. Não se importavam com o mercado, este é que tinha de procurar os seus produtos e serviços. A estrutura organizacional era muito rudimentar e o promotor tinha a seu cargo toda a gestão, produção e distribuição do produto. Eram facilmente identificáveis, não só pelos sinais de novo-riquismo, mas também pelas viaturas que conduziam e pela forma como vestiam.

 

Após o 25 Abril 1974, muitos foram vistos como reaccionários e fascistas, mesmo não o sendo, e alguns negócios sofreram com esta nova forma de encarar a sociedade empresarial. Não houve neste período, que eu localizo entre 1974 e até à adesão à CEE, grande inovação nem renovação do tecido económico.

 

Com a entrada de Portugal na zona da comunidade europeia, e com a chegada dos fundos estruturais para o desenvolvimento do País, assistiu-se de facto a uma grande dinamização do tecido Empresarial. Infelizmente os nossos Governantes não souberam aproveitar esses fundos e hoje em dia, como sabemos, até servimos de exemplo a Países que recentemente entraram, os quais vêem Portugal como exemplo a não seguir nesta matéria.

 

Uma nova era com novos empresários chegou. Novas ideias, novos produtos e serviços e alguma tentativa de gerir. O que foi curioso verificar é que o surgimento destas novas ideias, manteve no entanto o dogma inicial do que era ser empresário. Este tinha de ter poder. Lembro-me de algumas pessoas  se referirem a um familiar como    “ … ele até tem uma empresa “. Ou seja era sinónimo de credibilidade para além do poder. Claro está que o facto de ser empresário, supunha uma boa situação financeira, um bom carro, viagens a rodos ( não só profissional mas acima de tudo férias ), ter empregados       ( que eram mais  vassalos ) e andar de fato e gravata. Sempre! Um empresário está sempre em reunião, em almoços ou jantares de negócios. As transacções comerciais eram feitas à mesa, bem regadas e muitas vezes com boa companhia.

 

As Universidades começaram a lançar para o mercado novos licenciados, os quais mesmo não sabendo nada eram Doutores  ( Drs. ). Não se dava reconhecimento ao valor mas sim ao canudo. Infelizmente esta designação caiu na vulgaridade.

 

As relações inter-pessoais nas Empresas viviam muito da luta entre os Doutores e Engenheiros e o resto dos funcionários. As Empresas não se modernizaram em termos de recursos humanos. Colocaram de parte a formação contínua e sobretudo, começaram a ser postos de parte aqueles que detinham o saber independentemente da sua formação escolar. Começaram a ser substituídos por gente mais nova, licenciada de preferência, que trabalhe de sol a sol e a fazer trabalho não especializado.

 

Nos tempos modernos, em Portugal,  ser empresário é isto mesmo. A maioria dos empresários de empreendedor não tem nada. O tecido das empresas é composto na sua grande maioria por micro empresários e profissionais liberais  que têm o seu próprio emprego. As grandes empresas e multinacionais que se instalaram em Portugal aproveitaram-se da nossa mão de obra barata, dos fundos e benesses que o Estado lhes colocou na conta bancária. Para este os impostos eram poucos ou nenhuns, e não havia contratos que regulassem a atribuição dos mesmos e a permanência das empresas no nosso País. O que estamos a ver é a deslocalização das grande multinacionais para outros países, onde os governos lhes estão a dar aquilo que nós demos há 20 anos.

 

A minha visão é que este as micro e pequenas empresas são aquelas que são mais responsáveis pela vitalidade do País. Porque são estas que pagam os impostos, são estas que ao fim e ao cabo mais sustentam o orçamento do estado, são estas que criam o emprego    ( não só por empregar outros mas sobretudo por não se deixarem a si próprios cair no desemprego ) e são estas a quem o estado não dá um centavo seja para criar emprego, seja para investir no desenvolvimento das Empresas.

 

O que falta ao empresariado é atitude. Para reclamar o que é seu por direito e para se adaptar aos tempos modernos. Saber que o negócio é como tudo na vida. Tem um princípio e algumas vezes um fim. E isto é algo que os empresários hoje em dia não entendem. Temos de acabar com aqueles empresários primeiro tiram para si e depois o que sobra vai para os seus colaboradores. Temos também de acabar com os horários intermináveis de trabalho e com a fraca gestão do tempo.

 

Quem quiser hoje em dia lançar a sua iniciativa empresarial pode contar com meios nunca antes existentes. O que futuro empreendedor tem de ter para além da sua atitude e coragem, é uma forte dose de dinamismo, capacidade de sacrifício, tenacidade e estrito cumprimento da ética empresarial. Criar uma empresa supõe também uma forte ligação com a comunidade. E isto tanto se aplica aquele que cria o seu próprio posto de trabalho como aqueles que criam mais emprego. A comunidade é o garante do nosso sucesso pelo que não podemos gerir sem prestarmos o reconhecimento do seu contributo.

 

Tudo começa com uma ideia. Depois passa por um objectivo que vai ou não concretizar-se. Mas convém não esquecer que esta iniciativa pode ter sucesso ou não. Mesmo que bem planeada e suportada em termos financeiros. Do nascimento da ideia à sua concretização há que estudar o mercado, saber as vantagens o que o nosso produto ou serviço pode representar, saber quem são os nossos competidores e depois fazer contas. Convém não esquecer aquilo que temos de pagar ao Estado e as nossas obrigações sociais com os colaboradores.

 

O que pretendo transmitir é uma mensagem de esperança, mesmo nos tempos difíceis. Ser empresário nos dias conturbados de hoje não é uma fatalidade. Há que ter os pés bens assentes no chão, cometer poucos erros, buscar as opiniões de quem sabe e rodear-se de uma boa equipa ao nível da gestão, marketing, comercial, contabilística e jurídica. Pode ter todas estas valências na gestão do seu negócio sem contratar ninguém, mas em regime de outsourcing. Quando comecei em 1991 isto era impensável na generalidade, exceptuando a contabilidade.

 

Resumindo temos de idealizar, estudar, quantificar, planear, executar e gerir. Todas estas fases serão objecto de desenvolvimento em futuros posts.

 

 

Um abraço. Fico a aguardar os Vossos comentários.

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